Chico Xavier

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alteridade e Reforço Positivo por Alkindar de Oliveira


    A educadora Ermance Dufaux nos esclarece que alteridade é: “O estabelecimento de uma relação de paz com os diferentes. A capacidade de conviver bem com a diferença da qual o outro é portador”.

    Depois de duras penas estamos descobrindo que sempre convivemos com pessoas diferentes. Assim foi há 50 anos, há 30 anos. Assim é hoje. E assim será amanhã.

    Se quisermos ser felizes e produtivos, teremos que aprender a conviver com os diferentes. E, indo mais longe, é preciso que saibamos que a riqueza da humanidade está justamente na diversidade de opiniões e crenças. Antigamente, em vez de analisarmos as diferenças humanas como o grande manancial da criatividade e do desenvolvimento do ser, víamos como “o problema”.

    Inclusive, por não pararmos para pensar sobre a realidade de que só convivemos com pessoas diferentes, acreditávamos que era a atitude do outro a responsável pela eventual dificuldade no relacionamento interpessoal. Agora a nova pedagogia nos ensina que, como diz Ermance Dufaux, “A questão nunca é como convivemos com o outro, mas, como convivemos com o que sentimos e o que pensamos em relação ao outro”. Veja só: é o que “eu” penso e o que “eu” sinto que determina meu bom ou mal relacionamento interpessoal. O lado altamente positivo desta questão é que a “bola” do bom ou do mal relacionamento interpessoal está conosco, e não com o outro. E esta alternativa é salvadora, pois eu não tenho capacidade para mudar o outro, mas, se eu quiser, tenho plena capacidade para mudar minha forma de pensar e de agir.

    Há ambientes altamente conflitantes em que parte das pessoas convive muito mal e parte convive bem. Qual é o segredo? O segredo – que não merece este nome – é que aquela pessoa que convive bem, tem bonspensamentos e bons sentimentos. É o que poderíamos chamar de uma pessoa “humana”. Aquela que sabe aceitar as pessoas como são. Mesmo discordando delas.

    Quando passamos a aceitar as pessoas como elas são, fica mais fácil enxergar qualidades que antes não víamos. Quando não nos relacionamos bem com determinada pessoa, damos ênfase às suas características negativas. Mas, se mudarmos para melhor nossos pensamentos e sentimentos, então teremos interesse em melhor conhecer essa pessoa. E como todo ser humano tem qualidades positivas, nossa aproximação fará com que as enxerguemos. E enxergando essas qualidades, iremos melhor compreender a pessoa e, por incrível que possa parecer, iremos descobrir que temos a aprender com ela. Em conformidade com esse exemplo, uma das formas de exercitarmos a alteridade é: conhecermos a diferença; compreendermos a diferença e aprendermos com a diferença.

    Outra forma de exercitarmos a alteridade é fazer com que toda a equipe olhe na mesma direção. Exemplifico:

    Helmut Maucher, quando Presidente da Nestlé, disse em entrevista que fazia questão de passar pessoalmente aos seus liderados mais próximos que “(...) devem compartilhar nossos valores, que incluem trabalho árduo, honestidade e compromisso com a empresa. Precisam ser modestos. Devem ser pragmáticos e não dogmáticos”. Esta preocupação em passar aos liderados o que se espera deles, qual é a direção a seguir, nem sempre é comum nas empresas. Por exemplo, há líderes que reclamam do problema de relacionamento na sua equipe, mas nunca fizeram um reunião para, por exemplo, dizer: “Pessoal, tenho muito interesse que cada integrante de nossa equipe seja solidário com o colega e que o cultivo da amizade seja o nosso forte.”

    Existe aquela frase que diz: “O que é que você não está procurando e reclama por não achar?”. Isto é, na condição de líder, como eu posso reclamar dos problemas de conflitos improdutivos da minha equipe, se não faço rotineiras reuniões para reforçar o que espero de cada um dos meus liderados?

    ATENÇÃO! MUITO IMPORTANTE:
    Em sintonia com o estilo de liderança que foca “o pessoal” e “o resultado da empresa”, dou a sugestão de adotar um dos discursos abaixo na comunicação com seus liderados. É preciso que os discursos sejam sinceros. Alguns exemplos:

    “O que espero de vocês é que sejam produtivos e que bem se relacionem. Pois, se forem produtivos, mas não se relacionarem bem, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.

    Ou:
    “O que espero de vocês é que sejam produtivos e que sejamos todos amigos. Pois, se forem produtivos, mas se não formos amigos, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.

    Ou:
    “O que espero de vocês é que sejam produtivos e que a afetividade faça parte do nosso grupo. Pois, se forem produtivos, mas não se relacionarem bem, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.

    Obs.: Qualquer que seja o discurso a ser adotado ele precisa exalar verdade. Isto é, jamais o discurso deve ser apenas da “boca prá fora”.

    Atenção: Além de colocar seu coração enquanto fala a frase acima, é preciso procurar vivenciar no dia-a-dia a mensagem que está passando ao seu pessoal. Pois, de que valerá falar sobre a importância do relacionamento se o líder não se relacionar bem com o seu pessoal? De que valerá ditar normas de conduta se o líder não for um exemplo de boa conduta?

    REFORÇO POSITIVO, IMPORTANTE TÉCNICA PARA EXERCITARMOS A ALTERIDADE

    O fato de vivenciarmos a alteridade implica em sermos educadores. Pois todo bom educador é alteritário. Portanto, a forma mais produtiva da convivência em grupo, é nos considerarmos educadores.

    Já é patente que todo bom líder é um educador e que todos bons pais são educadores. No entanto, mesmo que ainda não sejamos líderes ou pais, é importante também agirmos como educadores. Pois ser educador não tem a ver com cargo ou função. Ser educador é escolha pessoal. E assim posicionando-nos, nos colocamos como parte integrante e proativa do desenvolvimento dos grupos dos quais fazemos parte, vivenciando a alteridade.

    Mas, o que é um educador?
    A resposta popular é que educador é o ser que tem por função educar as pessoas. E este é o grande erro conceitual, já bem esclarecido pela moderna pedagogia.

    O educador, que merece essa denominação, sabe que educar não é sua função. Ele tem consciência de que não é ele que “educa”. Sabe que cabe a si a importante função de criar ambiente favorável para a própriapessoa se auto-educar. Por exemplo, um professor não educa seus alunos. Sua única função possível é estimularem-nos a se auto-educarem.

    Para melhor entendermos a função de um educador, pense num hábil jardineiro. Ele aduba o jardim, planeja os canteiros, revolve a terra e, por fim, planta as sementes no solo. Se o adubo é bom, se o planejamento foi bem feito e se a terra foi bem preparada e irrigada, surgirá um belo canteiro, onde lindas e cheirosas flores irão encantar o ambiente. O educador é o jardineiro. O educando é a semente.

    Não há jardineiro no mundo que consiga o milagre de fazer a semente desabrochar. Esta função é da própria semente. Somente ela traz potencialmente essa condição. Mas o jardineiro pode, conforme vimos, criar o ambiente ideal para ela – por si mesma - desabrochar.

    Não há líder, pais, ou pessoa no mundo que faça um ser humano crescer interiormente. Esta função é da própria pessoa. Mas o educador pode criar o ambiente ideal para o ser, por si mesmo, se auto-educar ou se auto-motivar (é importante sabermos que também ninguém motiva alguém, é a própria pessoa que se auto-motiva). Conscientes dessa realidade, podemos “sentir” o valor do reforço positivo na convivência com o próximo. O reforço positivo é o preparo do solo do jardim da alteridade.

    A dose certa de reforço positivo.

    Se o jardineiro colocar muito adubo e irrigar além do necessário, a semente tende a apodrecer-se. Da mesma forma, o reforço positivo precisa ser usado na dose certa, nem pouco, nem muito. O líder que elogia todos os dias seus liderados, consegue menos resultados do que aquele que elogia esporadicamente, pois neste caso o reforço passa a ter mais peso e valor.

    Direitos e deveres.

    O líder e o educador tem direitos e... deveres. E sobre esta questão reflitamos sobre a frase que ouvi de um dos participantes de meus treinamentos: Quem tem o direito de criticar, tem o dever de elogiar.

    É comum líder e educador (que neste caso não merecem estes nomes) utilizarem-se do seu direito, mas não do seu dever. Já ouvi pessoas dizerem: “Meu chefe enxerga todos os meus erros, mas não vê meus acertos”.

    E há chefes que em vez de aplicarem o reforço positivo, fazem o oposto: aplicam o reforço negativo. Isto é, quando o funcionário faz algo bem feito ele diz: “Você não fez mais do que sua obrigação. Você é pago para isto.”

    Não nos esqueçamos de que o fato de aplicarmos o reforço positivo (nosso dever), não pode anular nossacrítica (nosso direito). É fundamental que saibamos que reforçar o positivo não necessariamente significa deixar de dizer onde a pessoa está errando. A crítica construtiva, a crítica bem feita, sempre é bem vinda. Reforçar o positivo significa dar ênfase principalmente aos acertos, mas, se para maior eficácia no resultado ser necessário apontar os erros, isto deverá ser feito.

    A melhor forma de criticar alguém.

    Nenhuma pessoa gosta de ser criticada. Repare que logo após a crítica, vem uma justificativa do interlocutor. E quem justifica, explica, mas não resolve. Uma técnica bem adequada para criticar, é a denominada “PNP” (Positivo/Negativo/Positivo), isto é, ao necessitar criticar construtivamente alguém: comece e termine dizendo coisas positivas; coloque a crítica entre as coisas positivas. A seguir, um exemplo:

    Primeira parte: reforçando o positivo.

    “Você trabalha nesta empresa há dez anos, e sempre demonstrou ser um profissional altamente competente. Me lembro do seu projeto para diminuir os custos do seu setor o quanto foi útil para nossa empresa. Lembro-me também quando há dois anos você melhorou o lay out da casa das máquinas, o que gerou melhor produtividade”.

    Segunda parte: a crítica.

    Após o comentário anterior, o interlocutor abre a janela da mente, pois todo mundo gosta de ser elogiado. Quando você perceber que a janela da mente está bem aberta, coloque a crítica, com o peso que ela deve ter. Algo assim:

    “Só que desta vez você cometeu um erro primário. Você mudou a função do seu principal funcionário sem dialogar com ele. O seu proceder está gerando sérios problemas no ambiente interno e a produtividade do seugrupo caiu assustadoramente”.

    Obs.: A crítica precisa ser completa, mas rápida. Pois a medida que você critica, o interlocutor vai fechando a janela da mente, querendo justificar-se. No entanto, antes dele justificar-se, você entra na terceira parte, a seguir.

    Terceira parte: reforçando o positivo.

    Nesta parte você conclui, dizendo: “Mas eu sei da sua inteligência. Tenho consciência de sua competência. Você conseguirá dar volta por cima. Veja que atitude você julga ser melhor adotar, para voltar ao bom ambiente interno que você sempre primou”.

    Atenção: A técnica “PNP” só funciona se você tiver o hábito de utilizar-se rotineiramente do reforço positivo (obviamente na dose certa, sem exagero). Se você não tiver o hábito de utilizar-se do reforço positivo, isto é, se você elogiar apenas quando quer criticar, a técnica não funciona. Pois, quando você começar a primeira parte da “PNP” o interlocutor não irá abrir a mente, e pensará: “lá vem crítica!”.

    Líder, o caçador de acertos.

    A Talent é uma agência de propaganda que criou frases memoráveis como “Não é nenhuma Brastemp”, “A diferença é que o Estadão funciona”, “Bonita camisa, Fernandinho”, dentre outras. À frente dessa agência há um líder especial, Júlio Ribeiro. É imensa sua capacidade de criar um ambiente interno altamente favorável. No seu livro Fazer Acontecer, Editora Cultura, Júlio Ribeiro nos diz que todo líder precisa ser um caçador de acertos. Leia seu recado: “Não se esqueça de ser sempre um caçador de acertos, não de erros. É tolice apontar constantemente os erros da equipe, esperando que com isso ela não erre mais. É melhor estimular os acertos, para que o grupo fique desejoso de acertar sempre. Uma equipe assustada, em vez de tentar fazer o que é o melhor para resolver os problemas da empresa, passa a tentar adivinhar aquilo que o cliente quer. Quando a equipe sabe que o seu trabalho é apreciado, passa a trabalhar bem, por simples satisfação pessoal. É quando fica até a madrugada para tentar uma solução melhor; é quando negocia uma vez mais um plano de mídia para conseguir condições que nem o cliente esperava; é quando fica alegre por alguém ter gostado do trabalho criativo”.

    Um mestre no uso de palavras positivas.

    O dentista Dr. Tom Mcdougal é um mestre no uso de palavras positivas. Ele diz: “mudança de horário” em vez de “cancelamento”; “sala de recepção” em vez de “sala de espera”; “combinar o tratamento” em vez de “pagar”; “esvaziar a boca” em vez de “cuspir”; “preparar o dente” em vez de “passar o motor”; “pequena picada” em vez de “injeção”; “sentirá um certo desconforto” em vez de “sentirá dor”.

    Muitas vezes não nos preocupamos em escolher as palavras certas na conversa com o próximo. E colocar a palavra certa é fundamental, pois só assim poderemos nos ver como educadores e comunicadores. Imagine um pai que, querendo que o filho tenha melhor redação, diz a ele: “Você já estudou onze anos para escrever esta porcaria?! No meu tempo eu trabalhava e estudava, você só estuda e nem sabe escrever!!!”

    Será que este pai comunicou-se com o filho? Não. Este pai desabafou! E desabafo não é comunicação. Éverdade que nenhum ser humano consegue ter controle emocional em 100% do seu tempo. Assim, é normalerrarmos na comunicação em 10 dias por ano. É normal de vez em quando desabafarmos, em vez decomunicarmo-nos. Mas não podemos errar em 350 dias do ano!

    Se quisermos ser comunicadores e educadores, precisamos ter especial cuidado na escolha das palavras que saem de nossa boca.

Aos Educadores


    O ilustre escritor brasileiro Augusto Cury enumera em seu livro intitulado "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", o que ele considera os sete pecados capitais dos educadores.

    O primeiro deles é corrigir o educando publicamente. Um educador jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ela seja, diante dos outros. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.

    O segundo é expressar autoridade com agressividade. Os educadores que impõem sua autoridade são aqueles que têm receio das suas próprias fragilidades. Para que se tenha êxito na educação, é preciso considerar que o diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível.

    O terceiro é ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança. Os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Os fracos impõem suas idéias à força, os fortes as expõem com afeto e segurança.

    O quarto é punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações. A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações. Paraeducar, use primeiro o silêncio e depois as idéias. Elogie o educando antes de corrigi-lo ou criticá-lo. Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito. Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.

    Quinto: ser impaciente e desistir de educar. É preciso compreender que por trás de cada educando arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto. Todos queremos educar jovens dóceis, mas são os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. São os filhos complicados que testam a grandeza do nosso amor.

    O sexto, é não cumprir com a palavra. As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não o quebre. Não dissimule suas reações. Seja honesto com os educandos. Cumpra o que prometer. A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.

    Sétimo: destruir a esperança e os sonhos. A maior falha que os educadores podem cometer é destruir a esperança e os sonhos dos jovens. Sem esperança não há estradas, sem sonhos não há motivação para caminhar. O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.

    Você que é pai, professor ou responsável pela educação de alguém, considere que há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem.
    Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo.
    Lembre-se que a educação é a única ferramenta capaz de transformar o mundo para melhor, e que essa ferramenta está nas suas mãos.
    Do seu uso adequado depende o presente e dependerá o futuro. O jovem é o presente e a criança é a esperança do porvir.
    Pense nisso e faça valer a pena o seu título de educador.
    Eduque. Construa um mundo melhor. Plante no solo dos corações infanto-juvenis as flores da esperança
    .

Álcool e Obsessão por: Irmão Saulo


    A obsessão mundial pelo álcool, no plano humano, corresponde a um quadro apavorante de vampirismo no plano espiritual. A medicina atual ainda reluta - e infelizmente nos seus setores mais ligados ao assunto, que são os da psicoterapia – em aceitar a tese espírita da obsessão. Mas as pesquisas parapsicológicas já revelaram, nos maiores centros culturais do mundo, a realidade da obsessão. De Rhine, Wickland, Pratt, nos Estados Unidos, a Soal, Carington, Price, na Inglaterra, até a outros parapsicólogos materialistas, a descoberta do vampirismo se processou em cadeia. Todos os parapsicólogos verdadeiros, de renome científico e não marcados pela obsessão do sectarismo religioso, proclamam hoje a realidade das influências mentais entre as criaturas humanas, e entre estas e as “mentes desencarnadas”.

    Jean Ehrenwald, psicanalista, chegou a publicar importante livro intitulado: Novas Dimensões da Análise Profunda, corroborando as experiências de Karl Wick-land em Trinta Anos Entre os Mortos. Koogan, na Europa de hoje, acompanhado por vários pesquisadores, efetuou experiências de controle remoto da conduta humana pela telepatia, obtendo resultados satisfatórios. Tudo isso nada vale para os que se obstinam na negação pura e simples, como faziam os cientistas e os médicos do tempo de Pasteur em relação ao mundo bacteriano.


    As quadras de Cornélio Pires sobre a obsessão alcoólica não são apenas uma brincadeira poética. Elas nos mostram - num panorama visto do lado oculto da vida a própria mecânica desse processo obsessivo. Espíritos inimigos, (que ofendemos gravemente em existências anteriores), excitam-nos o desejo inocente de “tomar um trago”. Aceitamos a “idéia maluca” e espíritos vampirescos são atraídos pelas emanações alcoólicas do nosso corpo. Daí por diante, como aconteceu a Juca de João Dório, “enveredamos na garrafa” e vamos" parar no sanatório. Os espíritos vampirescos são viciados que morreram no vício e continuam no mundo espiritual inferior, aqui mesmo na Terra, buscando ansiosamente os seus “tragos”. Satisfazem-se com as emanações alcoólicas de suas vítimas e continuam a sugá-las como vampiros psíquicos.


    Nas instituições espíritas bem dirigidas esse processo é bastante conhecido, e são muitos os infelizes que se salvam após um tratamento sério. Nos hospitais espíritas as curas são numerosas. Veja-se a obra do Dr. Inácio Ferreira: Novos Rumos à Medicina, relatando as curas realizadas no Hospital Espírita de Uberaba. Não é só a obsessão alcoólica que está em jogo nos processos obsessivos. Os desvios sexuais oferecem um contingente talvez maior e mais trágico do que o do álcool, porque mais difícil de ser tratado.


    Tem razão o poeta caipira ao advertir que “álcool, para ajudar, é cousa de medicina”. Só nas aplicações médicas o álcool pode ser usado como remédio. Mas temos de acrescentar, infelizmente, que os médicos de olhos fechados para a realidade espiritual não estão em condições de atender aos casos de alcoolismo. Os grupos espíritas e as associações alcoólicas obtêm resultados mais positivos, quando em tratamentos bem dirigidos.

Abrigo Seguro - Emmanuel


ABRIGO SEGURO

Diante de quaisquer provações da vida; 
quando tudo te pareça incompreensão, barrando-te os 
passos;  se as circunstâncias do mundo te arrebatarem a presença de criaturas queridas; no momento em que todos os recursos se te afigurem extintos; 

perante os sofrimentos que te alcancem os seres amados; 

ou à frente de inibições orgânicas que julgues irreversíveis,

ilhando-te nos problemas da enfermidade;
não desanimes.
Pensa em Deus, refugia-te em Deus, espera por
Deus e confia em Deus, porquanto, ainda
mesmo quando te suponhas a sós, em meio
de tribulações incontáveis, Deus está conosco
e com Deus venceremos.

***Emmanuel***

Casar ou Ficar?


    Há algum tempo está na praça um neologismo nascido do verbo ficar, que significa a união de duas pessoas, sem acarretar a ambas qualquer responsabilidade.
    Dia destes assistimos a um programa de televisão que apresenta assuntos do cotidiano. O tema escolhido era: “Casamento, nunca mais !”

    Diferentes convidados deram a sua opinião, mas em todos se percebia um quadro comum: Foram para o casamento ainda imaturos e se equivocaram quanto ao que desejavam obter nessa união.

    Doutor psicanalista, presente ao programa, dava sua versão conforme os diferentes relatos dos entrevistados. Uma das argumentações que nos chamou à atenção foi quando ele disse que a maioria se casa com o casamento e não com a pessoa. Procura o que o casamento lhe oferece de vantagens, como a casa, o automóvel, a segurança financeira, a empregada doméstica e a enfermeira gratuita. Vamos para o casamento pensando em nós e nunca no outro.

    Vários dos que opinaram, eram jovens que se casaram entre 14 e 18 anos e que depois de curto prazo se desencantaram com a vida em comum. Hoje, abominam a idéia de casar-se novamente, preferindo “ficar”, segundo o termo moderno para definir amasiar-se ou amancebar-se.

    Mesmo os que se desiludiram com a vida a dois, procuram ter seus namorados, definindo tal união, muitas vezes, como casamento ideal, no qual vive cada um em sua casa. Houve uma que afirmou ser muito feliz, embora more no Brasil e o parceiro em Paris. Também disse que não gosta de obedecer, de ser mandada ou ter de pedir permissão. Lhe parece fundamental ser a dona do próprio nariz. Por isso, vive como quer e como gosta.

    Houve quem fosse favorável a que nascessem filhos dessa parceria, desde que eles convivessem um pouco com o pai e um pouco com a mãe. Querem brincar de boneca, evidentemente.

    Não se tem dúvidas de que um relacionamento no qual cada um viva na sua casa, resolva seus próprios problemas, se relacione com o outro apenas quando está saudável, feliz e contente, será uma união duradoura. Não ter de pedir licença, nem de dividir espaços, nem de ter de renunciar aos menores prazeres é algo com que todos sonham. Não percebem que mesmo não fazendo isso no lar estão obrigados a submeter-se às leis da sociedade, na rua, no trabalho, na escola. Às leis da vida, sintetizando.

    Estudando o assunto à luz da Doutrina Espírita, vamos encontrar em O Livro dos Espíritos, na questão 775, Allan Kardec perguntando aos Superiores “qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família ?”

    Eles responderam, “uma recrudescência ao egoísmo”.

    Se analisarmos os casais, concluiremos que não há casamento ideal, por melhor que as pessoas se dêem ou se tolerem. O amor como é conhecido pelo homem da Terra, ainda é insuficiente para uma total harmonia. Se ainda nem casamos conosco, somos um conflito íntimo permanente, como poderemos ter nos outros a companhia ideal.

    Os casamentos de hoje podem ser classificados como insuportáveis, que acabam levando os cônjuges à separação, toleráveis, que resistem às rusgas, e agradáveis, aqueles que ao final de certo tempo chegam a valer um pouco a pena. Por isso, o amor humano, na verdade paixão, é insuficiente para manter pessoas unidas. Ele precisa ser assessorado pela paciência, pela renúncia, pela resignação, respeito, doação. No dia em que as pessoas se casarem com a intenção de fazer o outro feliz, tudo mudará e elas perceberão que é só assim serão igualmente felizes. Feliz é quem ama, não quem é amado.

    Quando se unem um homem e uma mulher, independentemente das alegadas programações feitas naespiritualidade e compromissos assumidos com outros espíritos antes da encarnação, o fato é que na vida conjunta as arestas vão sendo aparadas. Na convivência aprende-se e ensina-se e, por mais desagradável que pareça a convivência, os dois se beneficiam. Se não houver algum avanço, a encarnação terá sido inútil.

    Nascendo filhos dessa união, há a recompensa de receber espíritos em caminhada de aprimoramento e os casais vão sentir no íntimo a alegria de vê-los crescer em entendimento e auxiliar no aprimoramento do caráterdesses espíritos que voltam para reaprender. Dá grande trabalho, mas traz muitas compensações.

    Como pode ser feito isso se os cônjuges apenas “ficam” deixando de viver em comum os momentos difíceis que são exatamente os que mais ensinam. Quando o filho está enfermo, a dedicação do casal junto ao seuleito faz crescer o amor entre esses espíritos. Sentem-se amigos nessa reciprocidade de carinho.

    Ao voltar da escola, o filho quer contar as novidades ao pai e à mãe, porque cada um tem função e visão diferente. Se o filho escolhe a mãe para certas confidências íntimas, para o apoio nos momentos de tristeza, precisa igualmente do pai ao seu lado no jogo de futebol.

    Ao regressar do trabalho e suportar as pressões do patrão, o homem quer o aconchego do lar, o ombro da esposa para o desabafo. A mulher que passou o dia estressando-se com as peraltices dos filhos, quer dividir o peso com o companheiro.

    Se casar é ruim, “ficar” nada acrescenta para o que está em trabalho de progresso. Satisfaz o homem animal, afeito somente ao prazer, mas não o homem espiritual que cresce pouco nesses momentos, mas que sempre avança nas horas mais amargas.

    O programa de televisão refletiu a realidade e, embora amostragem pequena, deu idéia exata da aversão que existe hoje em relação ao casamento. Os pais mostram aos filhos uma relação egoísta e grosseira. Homens viciados, deixam esposas desesperadas e assustam as filhas, que temem encontrar um parceiro como o pai, alcoólatra e violento. E as mães, hoje é tão comum, estão preocupadas em embelezar-se, sensualizar-se por meio de artificialidades, apresentar-se em sociedade, deixando para traz sua tarefa missionária de educadora dos filhos.

    Enquanto a crença geral for a vida única, não há porque lutar e privar-se dos prazeres do mundo, se, ao final, tudo se acaba e vira pó. Para que o quadro mude, é preciso popularizar-se as Leis Eternas, com explicações amplas sobre a continuidade da vida, as implicações da reencarnação e a defesa de uma família espiritual. Sem que haja núcleos familiares bem estruturados, evangelizados, não teremos um país ou um planetaharmonioso. Nem material, nem espiritualmente.

A Ajuda do Céu


    Faze tua parte, que o céu te ajudará.


    Depender da Providência. Entregar-se por completo à certeza de que o Alto preencherá as necessidades do servidor. Atitudes de quem confia na fé como instrumento de relação da criatura com o Criador.

    Aconteceu com Teresa, aconteceu com Chico Xavier.

    Em Calcutá, todos os dias a Instituição das Missionárias dá alimento para nove mil pessoas. Certa vez, uma das irmãs chegou até a madre e lhe disse:

    - Senhora. nada temos. Absolutamente nada.

    Teresa não teve palavras para dar alguma resposta. Duas horas depois, porém. por volta das nove da manhã, um caminhão carregado de pães parou na porta da casa. Naquele dia, as escolas da cidade estavam fechadas. Resolveram. então, despejar milhares de pães por cima dos muros. Foi essa doação espontânea que alimentou os pobres durante dois dias.

    Chico terminara de atender a milhares de pessoas, junto ao abacateiro, para onde se deslocava. nos fins de semana, a fim de conversar com os que vinham e fazer donativos a famílias carentes.

    Acabara de voltar para casa. quando chegou um grupo de pessoas que queriam vê-lo, e já estavam viajando havia horas.

    Preocupado por não saber o que oferecer aos visitantes, viu que logo atrás do ônibus estacionara um caminhão (o motorista informou que era um carregamento de panetones, doados anonimamente, e que poderiam ser usados por Chico da forma que ele bem quisesse.

    Os produtos não só serviram para recepcionar os visitantes de última hora,  também puderam ser distribuídos aos pobres de alguns bairros de Uberaba, que têm em Chico um verdadeiro irmão, sinceramente interessado em ajudar o próximo.

    A fé, segundo afirmou Morris West, é um salto no escuro para os braços de Deus! .

    E é refletindo sobre a vida dos missionários dedicados à vivência do amor à humanidade, que se torna possível entender a imensidão desse projetar-se, rumo às fontes inesgotáveis da Providência.

    Essa é a legítima escuridão que se faz clara nos caminhos de quem chora. Mas, antes dela aportar na vida do sofredor, foi preciso existir a coragem daquele que se dispôs a buscá-la, correndo todos os perigos de quem se arrisca a penetrar nos domínios do que ainda não conhece.

    Foi necessário confiança, porque, sem ela, o viajante do bem não teria forças para encontrar os mananciais de Deus.

    Foi preciso empenho, desse que começa a ser realizado bem antes da viagem, através do exercício do querer bem, do desejar o bem, sempre.

    Foi decisiva a capacidade de entrega, para que o servidor se despojasse dos fardos das posses efêmeras, a fim de trazer o alforje do amor carregado de boas novas aos doentes da alma.

    Cada vez que o trabalhador vê-se cara a cara com a falta de recursos para realizar a tarefa nobre, pode recorrer a essa busca transcendental. A prece é a ponte. a fé é o caminho, e os seres são os Instrumentos de Deus para a resposta. Ela pode vir de caminhão, ou através de uma boa idéia, ou junto à frustração de não recebe-la quando a gente quer, mas sim quando for necessária , segundo a lógica do Alto.

    Em quaisquer circunstâncias é fundamental não esquecer as prioridades que definem o desejo de evoluir. Servir porque se aprendeu a amar o serviço. durante sua própria prática: desejar imensamente beneficiar o próximo, descobrir-se a si mesmo enquanto se trabalha.

    Para os dois missionários citados, instrumentos de Deus na Terra, o esquecimento deliberado do outro é o maior mal que assola as relações humanas no planeta. Madre Teresa declara que a pior doença de hoje não é a lepra, ou a Aids. É não ser desejado, é ser deixado de lado, é ser esquecido.

    Para Chico, o maior flagelo é o homem preocupar-se tanto com as coisas particulares que passa a não ter tempo para o Cristo solitário, que se manifesta em qualquer pessoa necessitada, seja ou não nosso familiar, que esteja precisando de nosso amparo.

    O hábito de servir em nome do Amor traz experiências notáveis a quem se dispõe, inclusive, a sofrer para ver obem sobrepujando os desastres causados pelos defeitos humanos. Ao homem é pedido apenas que faça a sua parte, para que o Céu, que significa a concentração de todas as forças dedicadas à Paz, possa ajudar como for preciso.

Pequeninas coisas que se agigantam -Emmanuel


Estejamos atentos à bênção da caridade,
por intermédio das migalhas de luz.
Desenvolve-se a plantação,
semente a semente.
Ergue-se a casa, tijolo a tijolo.
Constitui-se a mais bela sinfonia,
nota a nota.
Agiganta-se o rio, gota a gota.
Levanta-se o mais alto poema,
verso a verso.
Surge a história, palavra a plavra.
Edifica-se a estrada mais longa,
metro a metro.
Desdobra-se o tecido, fio a fio.
E o próprio século não é mais que larga
faixa de tempo, a estruturar-se,
minuto a minuto.
Assim também é a obra da inteligência.
Doemos à expansão da luz as nossas
melhores forças, conscientes de que
o esclarecimento, quanto aos nossos
princípios, se realizará,
de coração a coração,
através de página a página e de que
a cultura espírita, capaz de operar a
renovação do mundo, se fará livro a livro.
***EmmanuelEstejamos atentos à bênção da caridade,
por intermédio das migalhas de luz.
Desenvolve-se a plantação,
semente a semente.

Ergue-se a casa, tijolo a tijolo.
Constitui-se a mais bela sinfonia,
nota a nota.
Agiganta-se o rio, gota a gota.
Levanta-se o mais alto poema,
verso a verso.
Surge a história, palavra a plavra.
Edifica-se a estrada mais longa,
metro a metro.
Desdobra-se o tecido, fio a fio.
E o próprio século não é mais que larga
faixa de tempo, a estruturar-se,
minuto a minuto.
Assim também é a obra da inteligência.
Doemos à expansão da luz as nossas
melhores forças, conscientes de que
o esclarecimento, quanto aos nossos
princípios, se realizará,
de coração a coração,
através de página a página e de que
a cultura espírita, capaz de operar a
renovação do mundo, se fará livro a livro.
***Emmanuel